Um movimento que cansou... Convocado pela internet, o 9º Ato Contra a Copa reuniu somente “umas 100 pessoas” em protesto na frente do Theatro Municipal, zona central da capital paulista, de acordo com a Polícia Militar (PM); com palavras de ordem contra os gastos públicos necessários à realização da Copa do Mundo no Brasil e empunhando faixas e cartazes nos quais asseguram que o Mundial, de 12 de junho a 13 de julho, será a “Copa das Manifestações”; manifestantes não conseguiram adesão popular e movimento contra a Copa vai encolhendo cada vez mais.
Agência Brasil - Convocado pela internet, o 9º Ato Contra a Copa reuniu somente “uma 100 pessoas” em protesto na frente do Theatro Municipal, zona central da capital paulista, de acordo com a Polícia Militar (PM).
Como das vezes anteriores, os manifestantes criticaram os gastos públicos para a Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 e empunharam faixas e cartazes nos quais asseguram que o Mundial, de 12 de junho a 13 de julho, será a “Copa das Manifestações”.
O ato começou às 15h e se desenvolveu de forma pacífica, apesar de interditar parte da Rua Coronel Xavier de Toledo, e chamou a atenção de quem passava pelo local a figura de um grande boneco, em forma de caveira, com a roupa da Seleção Brasileira de Futebol.
Despertou curiosidade também a chegada de uma tropa de patrulhamento da PM montada, com policiais usando traje Robocop, como eles mesmos batizaram o exoesqueleto de polipropileno, resistente a pancadas, que vestem pela primeira vez. A vestimenta de segurança inclui escudos, capacetes e coletes à prova de balas, além de proteções nos braços e pernas, com alguns adereços de segurança também nos cavalos.
Matéria da Folha de S. Paulo mostra comparação entre investimentos da Copa e gastos públicos com Educação
Reportagem que ganhou manchete do jornal explica que valor previsto em obras ligadas ao Mundial representa 9% das despesas públicas anuais em Educação
Reportagem publicada nesta sexta-feira (23.05) no jornal Folha de S. Paulo faz uma comparação entre os investimentos realizados no Brasil para a Copa do Mundo da FIFA 2014 e o gasto público anual da pasta de Educação. O texto explica que a soma dos investimentos dos municípios, estados e União com obras ligadas ao Mundial representam 9% dos gastos públicos anuais em Educação, cerca de R$ 280 bilhões. A reportagem menciona também que parte do dinheiro gasto com o Mundial ainda retornará aos cofres públicos, já que quase metade dos R$ 8 bilhões investidos nas reformas e construções de arenas vem de financiamento federal que deve ser pago ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Custo da Copa equivale a um mês de gastos com educação
Despesa equivale ao custo de Belo Monte, maior obra financiada pelo governo
Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos.
Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.
O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões.Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.
A comparação deve ser relativizada porque haverá retorno, no futuro, de financiamentos. O Corinthians, por exemplo, terá de devolver os recursos que custearam o Itaquerão. Além disso, os gastos da Copa começaram a ser feitos há sete anos – concentrados nos últimos três.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
CONTRA O PT, TSE CONCEDE TERCEIRA LIMINAR A TUCANOS
Ministra Laurita Vaz tomou nesta sexta-feira 23 a terceira decisão em menos de um mês contra propagandas do PT; as três atendem a ações apresentadas pelo PSDB; na última quarta-feira, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral suspendeu o vídeo do Partido dos Trabalhadores que fazia referência aos "fantasmas do passado"; agora, ela impede que o filme seja reproduzido na inserção nacional que irá ao ar no dia 10 de junho; tucanos pedem ainda a cassação do programa partidário do PT no segundo semestre desse ano e multa ao diretório nacional do partido e à presidente Dilma Rousseff; ação ainda não foi julgada
A ministra Laurita Vaz, do Tribunal Superior Eleitoral, atendeu nesta sexta-feira 23 ao terceiro pedido do PSDB, em menos de um mês, contra inserções partidárias do PT. A decisão de agora proíbe o Partido dos Trabalhadores de exibir ocomercialque faz referência aos "fantasmas do passado" na inserção nacional que vai ao ar no dia 10 de junho.
Na última quarta-feira, a ministra do TSE já havia suspendido o mesmo filme, com base em outra ação do PSDB. Ela alegou, tanto na quarta como hoje, que a propaganda sinaliza "ainda que de forma dissimulada, necessidade de continuação do governo comandado pela presidente Dilma Rousseff".
No vídeo, o narrador diz que o Brasil não pode deixar que "fantasmas do passado voltem", com imagens de pessoas, hoje com empregos e acesso a estudos e saúde, se vendo no passado, em situações muito piores, como pedindo esmola. O PT informou que já recorreu da decisão de quarta-feira.
Para o PSDB, as circunstâncias em que foram veiculadas as inserções induzem à "promoção pessoal" da presidente e tem "propósitos eleitoreiros para alavancar a popularidade" de Dilma. Na mesma ação, o partido pede para que o TSE casse o direito do PT de veicular o programa partidário no segundo semestre e aplique multa máxima - que pode chegar a R$ 25 mil - ao diretório nacional do partido e à presidente. Esse pedido ainda não foi julgado.
A primeira decisão da ministra Laurita Vaz contra programas do PT foi do dia 14 de maio, suspendendo um comercial veiculado no último dia 6 em rádio e televisão. O filme trazia falas da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, com críticas indiretas à oposição.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
DILMA: "RIQUEZA NO BRASIL CRESCE PARA POBRES E RICOS"
"Nosso processo de distribuição de renda não é um processo que tira de uns para dar para os outros, não é à la Robin Hood", discursou hoje a presidente, durante almoço com lideranças do PTB; segundo ela, processo elevou para as camadas superiores como uma onda; "A camada superior da classe média subiu para a classe AB, ou seja, tem mais ricos no país hoje do que tínhamos antes, mas os pobres hoje têm acesso maior a um aumento de riqueza do que tinham no passado. [Os rendimentos de] todos cresceram, os [dos] pobres cresceram mais", avaliou
Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira 21 que a distribuição de renda que tirou brasileiros da extrema pobreza e ampliou a classe média nos últimos anos também beneficiou os ricos. Segundo Dilma, os ganhos sociais e de renda foram maiores para a população mais pobre, mas a classe média tradicional também foi beneficiada.
"Nosso processo de distribuição de renda não é um processo que tira de uns para dar para os outros, não é à la Robin Hood. Nosso processo elevou para as camadas superiores como uma onda. A camada superior da classe média subiu para a classe AB, ou seja, tem mais ricos no país hoje do que tínhamos antes, mas os pobres, os que ganham menos, os que eram antes excluídos, hoje têm acesso maior a um aumento de riqueza do que tinham no passado. [Os rendimentos de] todos cresceram, os [dos] pobres cresceram mais", avaliou.
Dilma fez as declarações em breve discurso durante almoço com lideranças do PTB. A legenda confirmou hoje o apoio à reeleição de Dilma, escolhida pelo PT como pré-candidata do partido nas eleições presidenciais de outubro.
A presidenta agradeceu o apoio do PTB e disse que o histórico trabalhista do partido foi fundamental para que o governo promovesse a distribuição de renda. Dilma também agradeceu o apoio da legenda para aprovação de programas do governo nos últimos anos, entre eles o Minha Casa, Minha Vida, o Mais Médicos, e alterações no Bolsa Família.
"Estivemos juntos e fico muito feliz de nesta eleição ter o apoio do partido e de estar aqui hoje nesta discussão amigável". Segundo Dilma, a aliança com o PTB é "estruturante e estrutural" para seu governo. "Ter o PTB como suporte no meu governo é fundamental. Somos do grupo daqueles que querem um Brasil diferente", acrescentou.
O presidente do PTB, Benito Gama, disse que o partido estará com a presidenta na disputa eleitoral e que a reeleição de Dilma também representaria a reeleição da legenda. "O que nos une é a identidade do PTB com o seu governo, não a oportunidade. A identidade do PTB tem sido de apoio permanente na construção do governo e do país", disse.
TSE ACATA AÇÃO DE TUCANOS E BARRA OUTRO FILME DO PT
Decisão da ministra Laurita Vaz determina que o Partido dos Trabalhadores suspenda veiculação de filme que foi ao ar no último dia 13; vídeo faz alusão aos "fantasmas do passado", numa crítica à oposição; ministra do Tribunal Superior Eleitoral entendeu que houve propaganda negativa contra os opositores do PT; há uma semana, o PSDB do pré-candidato Aécio Neves conseguiu suspender outro comercial do PT, que exibia fala da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula A ministra Laurita Vaz, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão da propaganda do PT que foi ao ar no dia 13 de maio. O comercial faz alusão aos "fantasmas do passado", numa crítica ao governo do PSDB, anterior aos do Partido dos Trabalhadores.
A decisão do TSE atende a uma ação movida pelo Diretório Nacional do PSDB, do pré-candidato à Presidência Aécio Neves. Há uma semana, os tucanos obtiveram outra vitória no tribunal, que mandou suspender filme veiculado no dia 6, com falas da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.
Para a ministra Laurita Vaz, o comercial faz propaganda negativa dos opositores do PT. Na liminar, a ministra ressalta que a propaganda "sinaliza, ainda que de forma dissimulada, para a continuidade do atual Governo, com associação de imagens e ideias negativas ao passado, a incutir no espectador que isso ocorreria caso se desse 'ouvidos a falsas promessas'". O fato evidencia sua ilegalidade, diz.
O PT informou em nota que apresentou defesa junto ao TSE, mas só irá se manifestar sobre o assunto após a decisão final do tribunal. Na ação, o PSDB alegou que o vídeo teve como objetivo "influir no pleito de 2014" ao tentar alavancar a candidatura da presidente à reeleição. Os fantasmas são uma referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, argumentam os tucanos.
De 11.858 docentes aprovados no último concurso do governo do Estado de São Paulo, no fim de 2013, 155 foram considerados inaptos nas perícias, sendo 39 (25%) deles recusados por obesidade, entre eles, a professora de química Ana Carolina Buzzo Marcondelli, de Américo Brasiliense, na região de Ribeirão Preto
O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) rejeitou um quarto dos professores aprovados no último concurso do governo do Estado de São Paulo, no fim de 2013, para a educação básica por serem obesos.
De 11.858 docentes aprovados, 155 foram considerados inaptos nas perícias, sendo 39 (25%) deles recusados por obesidade, entre eles, a professora de química Ana Carolina Buzzo Marcondelli, de Américo Brasiliense, na região de Ribeirão Preto.
O sindicato dos professores do Estado se posicionou contra as reprovações. Segundo o DPME (Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo), os professores barrados podem pedir reavaliação.
Presidente do diretório paulista do partido rebate em nota a divulgação de um vídeo, pelos tucanos, que mostra o pré-candidato petista Alexandre Padilha pedindo votos para o deputado André Vargas, além de recortes de jornais e imagens de hospitais lotados; vídeo "constitui mais um lamentável capítulo de atitudes que expõe o desejo deste partido de realizar uma campanha de difamação", escreve Emidio de Souza
11 DE ABRIL DE 2014 ÀS 15:12
SP 247 – O presidente do PT-SP, Emidio de Souza, divulgou uma nota criticando a divulgação, pelo PSDB, de um vídeo que mostra o pré-candidato do partido ao governo paulista, Alexandre Padilha, pedindo votos ao deputado licenciado André Vargas (PT-PR), alvo de investigação do Conselho de Ética da Câmara por suspeita de favorecer os negócios do doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal.
"A divulgação de um vídeo na internet usando a imagem do ex-ministro Alexandre Padilha feita pelo PSDB constitui mais um lamentável capítulo de atitudes que expõe o desejo deste partido de realizar uma campanha de difamação, com claro objetivo de desviar a atenção do real debate de interesse da sociedade", diz Emidio na nota. Ele acrescenta: "não aceitaremos a política rasteira que o PSDB tenta impor".
O vídeo é da campanha eleitoral de 2010 e, nele, Padilha pede votos para Vargas no horário eleitoral do Paraná. Os tucanos acrescentaram a esta imagem recortes de jornais e revistas. A edição divulgada pelo PSDB-SP mostra ainda hospitais lotados no estado. O vídeo foi publicado em diversas páginas do Facebook e do Twitter nesta quinta-feira 10.
O presidente do PSDB paulista, vereador Floriano Pesaro, comentou que o objetivo era "mostrar o nível de irresponsabilidade do ex-ministro Alexandre Padilha. Ele foi avalista de um sujeito que é sócio um dos maiores doleiros do Brasil que está sendo investigado pela Polícia Federal". Para Emidio de Souza, os tucanos tentam, com a edição, "manipular a verdade dos fatos" aos eleitores. Leia a nota do PT-SP:
Nota do presidente do PT-SP sobre vídeos contra Padilha Vamos continuar travando um debate propositivo, que colabore para a realização de uma campanha franca, onde quem sai ganhando é o povo paulista
A divulgação de um vídeo na internet usando a imagem do ex-ministro Alexandre Padilha feita pelo PSDB constitui mais um lamentável capítulo de atitudes que expõe o desejo deste partido de realizar uma campanha de difamação, com claro objetivo de desviar a atenção do real debate de interesse da sociedade. Ao tentar induzir a população ao erro, o PSDB tenta abafar as vozes que cobram explicações sobre os desmandos na condução dos processos licitatórios do Metrô em São Paulo e na inação, falta de obras e de transparência na condução de políticas públicas para evitar o racionamento de água no estado. Nem mesmo para assumir o racionamento de água, eles se mostram honestos e competentes, preferindo maquiar a falta d'água ao chamá-la de "rodízio", como se rodízio não significasse racionamento por algum período nas residências do estado.
Não aceitaremos a política rasteira que o PSDB tenta impor.
Fazer colagem de recortes de jornais e revistas e intercalá-las com imagens completamente descontextualizadas só deixa claro ao eleitor o desejo do PSDB de manipular a verdade dos fatos. Não será esse o debate que o Partido dos Trabalhadores fará. Vamos continuar travando um debate propositivo, que colabore para a realização de uma campanha franca, onde quem sai ganhando é o povo paulista.
Emidio de Souza, presidente estadual PT-SP
quarta-feira, 9 de abril de 2014
O GRANDE SEGREDO DE LULA
EDUARDO GUIMARÃES
Ele não tem ódio. Lula não se deixa embriagar pelo rancor. Ele se diverte com os ataques que recebe, mas não nutre sentimentos negativos
A primeira vez em que entrevistei Lula foi em 24 de novembro de 2010, no Palácio do Planalto, a pouco mais de um mês de ele deixar a Presidência. Aquela entrevista marcou o fim de uma era em que a mídia e a oposição demo-tucana eram enfrentadas diuturnamente pelo então presidente.
Desde o avanço conservador viabilizado pelo escândalo do mensalão a partir de 2005, Lula passou a travar um forte debate retórico com seus adversários e não parou até o último dia de seu governo. Resultado: deixou o Planalto com mais de 80% de aprovação.
Apesar de tolhido pela liturgia do cargo, naquela entrevista de algumas poucas horas em 2010 Lula travou mais debate político com seus adversários do que a presidente Dilma em 3 anos e 3 meses.
Da posse de Dilma em diante, porém, o governo federal tratou de tentar estabelecer uma convivência “civilizada” com os adversários.
Já no primeiro mês de 2011 a presidente foi à festa de 90 anos do jornal Folha de São Paulo, depois foi ao programa Ana Maria Braga e nunca mais objetou qualquer ataque da mídia ao seu governo.
Ao longo de seu primeiro ano, Dilma assistiu a mídia derrubar uma série de ministros, um a um. Em alguns casos, como o do comunista Orlando Silva, então ministro do Esporte, houve grave injustiça. Nem uma única denúncia da mídia contra ele se comprovou.
Não estou criticando Dilma. Acho que ela fez muito pelo país. Só quem sabe quanto sofreram outros povos com a crise econômica internacional é capaz de avaliar como ela foi competente ao longo dos últimos três anos e tanto; impediu os brasileiros de pagarem a conta de uma crise que pôs o mundo de joelhos.
Em minha opinião, Dilma fez um governo igual ao que Lula teria feito se tivesse permanecido no cargo. Aliás, talvez ela tenha ido ainda mais para a esquerda do que ele. Ousou mais, inclusive. Até pelas condições que herdou do antecessor…
É doloroso ver a mídia tentar carimbar na testa de Dilma a pecha de “incompetente” após ela ter impedido que os brasileiros pagassem o custo de uma crise desse quilate. Gerou uma quantidade imensa de empregos, os salários continuaram subindo, a inflação se manteve sob controle, conduziu com brilhantismo o primeiro leilão do pré-sal.
A despeito disso tudo, Dilma não desfruta da mesma boa situação de Lula em termos de popularidade. Simplesmente porque Dilma não é Lula. Aliás, só Lula é Lula.
Dilma não é política, é uma técnica. Debutou em eleições em 2010. E o fez com igual brilhantismo. Mas Dilma não rebate o alarmismo e o pessimismo como Lula fazia. Não se comunica com o povo, com os movimentos sociais, mantém-se focada apenas na governança.
Dilma é uma gerente.
Gerenciar o governo é necessário. Claro que, sendo presidente, ocupando um cargo político, essa gerência tem que ser temperada com uma pitada de política e isso ela faz. E saberá fazer mais, quando chegar a hora. Até porque, já fez em 2010. E com muito menos tarimba do que tem hoje.
Na última terça-feira, porém, Lula entrou em campo. Deu entrevista a blogueiros, entre os quais este que escreve. Só que, desta vez, liberto da liturgia do cargo de presidente, ele falou tudo que tinha entalado na garganta, provocado pelos blogueiros que o arguiram.
Neste ano eleitoral, pois, Lula fará o que Dilma não pode – por ser presidente – e o que pode mas não tem toda aquela habilidade para fazer.
Lula, mais uma vez, colocará em campo a sua tonitruante popularidade e, assim, será, de novo, fiador da presidente junto aos que pedem que ele volte por não quererem votar nela, por razões variadas.
Nesta segunda entrevista com o presidente emérito da República Luiz Inácio Lula da Silva, porém, pude obter dele o que não obtivera em 2010: descobri o segredo de sua exitosa trajetória política.
Lula foi arguido de todas as formas e sobre uma miríade de temas propostos pelos blogueiros na entrevista de cerca de três horas que lhes concedeu no Instituto que leva seu nome – e que o leitor poderá conferir ao fim deste post.
Não irei, porém, reproduzir, ponto a ponto, suas respostas. Isso já foi feito à exaustão por uma imensidão de jornalistas.
A entrevista teve uma enorme repercussão. Chegou a ter o link da transmissão por streaming veiculado em manchete principal dos maiores portais da internet (UOL, G1, Estadão etc.). Muitos viram e relatos do que ocorreu não faltaram.
Quero ficar, pois, na percepção que consegui extrair da figura humana de Lula quatro anos após a primeira oportunidade que tive para tanto.
Finalmente descobri o grande segredo de Lula, que lhe permitiu chegar aonde chegou: ele não tem ódio. Lula não se deixa embriagar pelo rancor. Ele se diverte com os ataques que recebe, mas não nutre sentimentos negativos.
Muito disso se deve ao fato de que não perde tempo com leituras das “reportagens”, dos editoriais, das colunas que pouco encerram além de opinião, mesmo quando prometem fatos e não opiniões.
Os blogueiros conversamos com Lula por mais de quatro horas, desde que chegamos ao seu Instituto até a hora em que ele nos deixou. Ninguém se cansou. Pelo contrário: ele tempera suas falas com bom humor, conta “causos” envolvendo desde chefes de Estado das maiores potências até os dos menores países dando a todos a mesma importância.
Ficamos sabendo, por exemplo, que o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak era uma figura detestada por todos nos encontros de chefes de Estado. Antipático, arrogante. Lula nunca gostou dele, quem, inclusive, isolava-se de seus pares. Chegava, discursava e se mandava.
O que me surpreende em Lula, porém, é a forma como se refere aos que o atacam há décadas com todo ímpeto possível e imaginável. E mesmo aos que não o atacam diretamente, mas atacam.
Vejam o caso de Joaquim Barbosa. Não há raiva. Lula se limita a dizer que, sob os critérios que usou para indicá-lo para o STF – ser o jurista negro com melhor qualificação para o cargo de ministro daquela Corte –, repetiria a indicação.
E manda uma espécie de aviso ao escolhido: seu comportamento é de sua exclusiva responsabilidade.
Sem se deixar contaminar pelo ódio que lhe dedicam, Lula preserva sua capacidade de raciocínio – e, de quebra, até uma elogiável generosidade para com os seus detratores.
Com a alma leve é mais fácil fazer escolhas, traçar estratégias, refletir muito antes de agir – aliás, outra tática de Lula para as decisões políticas exitosas que tomou ao longo da parte de sua vida em que venceu o preconceito e se elegeu.
As receitas de vida de Lula são simples e recomendáveis. E as receitas políticas, idem. Ele recomenda ao governo que não deixe as críticas à gestão sem resposta, que rebata cada distorção. Inclusive, dá a mesma receita à Petrobrás. Já deu, pois, todas as dicas. Falta o governo assimilá-las
terça-feira, 8 de abril de 2014
GABRIELLI: DADOS SOBRE PASADENA SÃO "MENTIROSOS"
Ex-presidente da Petrobras disse que foi convidado pela bancada do PT na Câmara para "esclarecer fatos e combater as versões fantasiosas e eleitoreiras que estão sendo veiculadas" sobre a compra da refinaria pela estatal, em 2006; segundo ele, a Petrobras pagou US$ 486 milhões, e não US$ 1,1 bilhão por Pasadena; além disso, Gabrielli explicou que o grupo belga Astra Oil não pagou apenas US$ 42 milhões na parte da refinaria porque teve que pagar dívidas que passaram de US$ 200 milhões; "uma mentira repetida inúmeras vezes vira verdade", disse José Sérgio Gabrielli; encontro aconteceu a portas fechada.
Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil
O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli disse hoje (8) que as informações divulgadas sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, são "mentirosas", ao falar sobre o negócio com deputados petistas. Entre as informações apresentadas pelo ex-dirigente da estatal, está a de que o preço pago pelo sócio belga Astra inclui, além dos US$ 42 milhões já conhecidos, o pagamento de dívidas que chegariam a mais de US$ 200 milhões. Além disso, o preço pago pela Petrobras foi US$ 486 milhões, e não US$ 1,1 bilhão, segundo garantiu.
Como em outras vezes em que esteve no Congresso Nacional para falar sobre o assunto, Gabrielli mostrou números que, segundo ele, comprovam que o negócio transcorreu de forma legal e adequada. A compra da refinaria está sendo investigada pela Polícia Federal, pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público e Congresso Nacional por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas. Os parlamentares governistas que participaram do encontro a portas fechadas se declararam tranquilos em relação ao negócio.
Segundo Garbielli, nas contas que vêm sendo divulgadas, não têm sido incluídos os valores que o grupo belga Astra Oil, responsável pela compra da outra metade das ações da refinaria, em 2006, pagou em dívidas, passivos trabalhistas e investimentos para adequação ambiental daquela indústria.
O ex-dirigente da estatal explicou que foi convidado pela bancada do partido para "esclarecer fatos e combater as versões fantasiosas e eleitoreiras que estão sendo veiculadas". Segundo ele, "uma mentira repetida inúmeras vezes vira verdade". De acordo com o ex-presidente, o grupo belga Astra não pagou apenas US$ 42 milhões na parte da refinaria porque teve que pagar outros valores em dívidas que chegaram a mais de US$ 200 milhões.
"E a Petrobras pagou US$ 486 milhões, e não US$ 1,1 bilhão. A diferença foi referente a estoques que foram vendidos, despesas bancárias para garantir a comercialização do produto e despesas judiciais. Foi um negocio absolutamente normal", detalhou.
Segundo ele, outra ideia falsa "implantada" pela oposição é a de que a compra foi um mau negócio. "Foi um bom negócio, que refletiu a estratégia [da estatal] de conseguir refino nos Estados Unidos. É falso dizer que foi ruim", disse. A explicação de Gabrielli é a de que a refinaria é um negócio que foi afetado pelas mudanças no mercado decorrentes da crise internacional de 2008 e do aproveitamento do gás de xisto pelo mercado norte-americano.
Na conversa com jornalistas, depois da reunião da bancada do PT, o ex-presidente da Petrobras ainda explicou que a cláusula Marlim foi considerada inválida pela Justiça dos Estados Unidos, na disputa judicial entre a Petrobras e a Astra. Ele ainda disse que a cláusula do tipo Put Option também não prejudicou a estatal "É um acordo de divórcio. Uma cláusula normal quando se refere a grandes negócios. Continuo defendendo que o negocio foi correto", disse.
As cláusulas foram omitidas em um resumo executivo elaborado pela área internacional da Petrobras, comandada pelo ex-diretor Nestor Cerveró. O documento provocou uma crise depois que o Planalto divulgou nota explicando que a autorização do negócio dada pelo conselho de administração da empresa, presidido na época por Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, se baseou em relatório com informações incompletas sobre o negócio.
Gabrielli acrescentou que quem tomou a iniciativa de entrar na Justiça em 2008 foi a Petrobras, que queria modernizar a refinaria. Em julho de 2008, o grupo Astra entrou contra a Petrobras alegando que tinha que ser aplicada a cláusula Marlin. "Em 2012, a Justiça concluiu que a cláusula Marlin não é válida e que o cálculo seria feito a partir da Put Option, considerando os termos do contrato original, dentro das condições econômicas da época", explicou.
Com as informações nas mãos, o PT decidiu que não vai tentar dialogar com a oposição para tentar barrar os impasses em torno da instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar as denúncias. "Quem disse que não queremos CPI?", questionou o líder do PT na Câmara dos Deputados, Vicentinho (SP), ao falar das assinaturas recolhidas para uma comissão de inquérito ampliada para investigar outras denúncias, como o do metrô de São Paulo. "Estamos dispostos e queremos que a Mesa [do Congresso] defina, para apurarmos todos esses casos", afirmou.
A compra da refinaria é um dos negócios da Petrobras que estão na lista de investigação que partidos da oposição querem fazer no Congresso, a partir de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). Mas a instalação desse colegiado e as dimensões que a CPI deve ter, tanto em relação ao objeto de apuração quanto ao tamanho (se uma CPI exclusiva do Senado ou mista) ainda esbarra em impasse entre as bancadas da oposição e do governo.
segunda-feira, 10 de março de 2014
TEMER: ALIANÇA PT-PMDB É "MUITO SÓLIDA"
Vice-presidente atua para acalmar ânimos de líderes do seu partido em crise com a presidente Dilma Rousseff; após diversas reuniões, Michel Temer afirma que discussões internas entre PT e PMDB expõem "solidez" na parceria entre eles; "Por mais que muitas vezes se diga que há embaraço, devo dizer com toda a tranquilidade que as conversas que tive ontem à noite e que tivemos hoje com as lideranças do PMDB revelam a solidez da nossa aliança", afirmou
Depois da crise na relação entre PT e PMDB nos últimos dias, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou, nesta segunda-feira (10), que a aliança entre os dois partidos está "garantida" e que discussões internas entre as siglas expõem "solidez" na parceria entre eles. Depois de algumas reuniões desde ontem, Temer disse que o saldo dos encontros foi "muito positivo" e que as duas partes estão "conversando muito bem". Segundo ele, a aliança entre PT e PMDB é "muito sólida".
"Por mais que muitas vezes se diga que há embaraço, devo dizer com toda a tranquilidade que as conversas que tive ontem à noite e que tivemos hoje com as lideranças do PMDB revelam a solidez da nossa aliança", afirmou Temer, ressaltando que a aliança pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) "está garantida".
Circula no Facebook imagem do presidente do Supremo Tribunal Federal ao lado Antonio Mahfuz, em Miami; empresário é réu em 221 processos e fugiu do Brasil há quinze anos para escapar de calotes; na internet, Delúbio Soares deu retweet num post com a seguinte mensagem: "Antônio Mahfuz: 221 processos, prisão decretada, foragido do Brasil. Em Miami, com Joaquim Barbosa, num bar"
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, se envolveu em mais uma polêmica. Ainda sem conseguir justificar as 11 diárias financiadas pela Corte em suas férias na Europa, circula atualmente na internet uma imagem em que o magistrado aparece em Miami ao lado de um foragido da Justiça brasileira.
Barbosa aparece com Antonio Mahfuz em imagem postada no seu Facebook, com a legenda: “Sob a mesma luz que guiava os peregrinos no deserto! Renasce a esperança com o Justiceiro. Thanks God!”.
Segundo Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, “não haveria problema nenhum não fosse Mahfuz a chamada chave de cadeia. Ele fugiu do Brasil, há quinze anos, e deixou atrás de si copiosos calotes. Uma contabilidade recente coloca Mahfuz como réu em 221 processos”.
Colunista lembra que, o foi exatamente para escapar da cadeia que ele se refugiou na Flórida, “onde sabemos que JB comprou um apartamento em nome de uma empresa imaginária, para não pagar imposto”.
Mahfuz foi processado pelo seu principal credor, o banco Chase Manhattan e por suas irmãs, sob a acusação de que ele falsificou a assinatura do pai numa procuração que lhe dava poderes para administrar os negócios do patriarca, Elias Mahfuz, um imigrante sírio que montou do nada um patrimônio respeitável no interior de São Paulo.
Segundo Nogueira, seja qual for a origem da confraternização de Mahfuz e Joaquim Barbosa, está claro que ele deve uma satisfação aos brasileiros (Leia mais no DCM).
Condenado na AP 470, Delúbio Soares repercutiu a foto no Twitter com o post: "Antônio Mahfuz: 221 processos, prisão decretada, foragido do Brasil. Em Miami, com Joaquim Barbosa, num bar."